Há um abalo sísmico acontecendo na internet. Seu nome é BitClout e consiste na fusão entre as redes sociais e as criptomoedas.

Na superfície, o BitClout funciona como o Twitter. Os usuários postam textos curtos, com links, vídeos e imagens. No entanto o buraco é muito mais profundo. Todo e qualquer usuário do BitClout transforma-se em uma criptomoeda única.

Por exemplo, na semana passada criei meu perfil no BitClout. Com isso, qualquer pessoa pode investir dinheiro comprando ou vendendo as criptomoedas do meu perfil, apostando assim se a minha influência vai subir ou descer (a palavra “clout” significa justamente influência).

Só para deixar claro, não faça isso. Guarde seu dinheiro para outras coisas. Inclusive para investir em você mesmo se você entrar no BitClout. Se você achar que vai bombar no Bitclout, pode comprar moedas de si mesmo e apostar que elas irão se valorizar. Assim você “monetiza” a sua própria influência.

A ideia do Bitclout é ao mesmo tempo demoníaca e genial. O site conjurou o que existe de mais perverso ao transformar cada pessoa em um produto a ser comercializado na hora. É como se todos os usuários que entram no BitClout estivessem fazendo uma oferta pública de si mesmos.

Outro aspecto demoníaco é que no site já estão os perfis da maioria dos influenciadores, que nem sequer se inscreveram. Mesmo não estando oficialmente lá, o mercado das suas moedas já está em ebulição.

Por exemplo, Elon Musk não se juntou ao site, mas sua moeda já vale US$ 55 mil a unidade. Como cada perfil ganha um percentual toda vez que alguém negocia sua moeda, já tem US$ 5,9 milhões à espera de Musk assim que ele assumir sua página.

Felipe Neto também não está no site, mas sua moeda está em negociação e já vale US$ 177 a unidade. Há uma “poupança” de US$ 19 mil à sua espera assim que ele se juntar.

Um efeito possível do BitClout, se a plataforma decolar, vai ser ensinar todos o seus usuários o bê-á-bá sobre criptomoedas. Por exemplo, todo o mundo que entra na plataforma ganha uma “chave-pública”, conceito hoje compreendido por poucas pessoas.

É um efeito parecido com o que o Orkut teve no Brasil. Em 2004, quando surgiu, acabou ensinado a muita gente o básico da internet, por exemplo, como fazer o upload de uma foto, postar e assim por diante. Não eram atividades óbvias à época para a maioria das pessoas, assim como não é hoje lidar com criptomoedas.

Por fim, o BitClout tem sua própria criptomoeda nativa. Para investir em qualquer perfil, é preciso primeiro comprar BitClouts e então usá-los para investir nos perfis individuais. Esse é outro aspecto demoníaco do site. No dia em que este artigo foi escrito, um BitClout custava US$ 177.

Em síntese, o site é uma forma de remunerar os usuários por sua influência. Mais do que isso, é um portal para uma distopia totalmente nova. Se vai dar certo, não sei. Se coisas boas ou ruins virão de lá, também não.

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