A manhã desta terça-feira (8) começou com milhares de sites fora do ar, incluindo os de grandes grupos de mídia, serviços de streaming, companhias de diferentes setores e a rede do governo britânico. O que parecia ser uma megaofensiva hacker era resultado de um problema técnico em uma CDN (sigla em inglês para rede de entrega de conteúdo) na nuvem.

Sites de empresas como The New York Times, BBC, Financial Times, Spotify, Twitch, Hulu, HBO Max e Reddit usavam o mesmo CDN global, da empresa Fastly, de San Francisco, que comunicou um incidente em um de seus serviços às 9h58, no horário de Greenwich (6h58, horário de Brasília). O problema foi identificado e corrigido uma hora depois, segundo o site da companhia.

Embora não seja um termo popular entre usuários de internet, a CDN é uma peça essencial de infraestrutura. E ela que permite o consumo simultâneo de arquivos pesados, como filmes e música entre milhares de pessoas.

Tecnicamente, trata-se de um servidor que armazena minicópias desses arquivos e tem a função de entregar conteúdos de forma rápida ao consumidor final e oxigenar as redes dos provedores.

Uma empresa pode ter vários CDNs descentralizados para abastecer seus clientes em diferentes regiões. Dessa forma, o usuário de internet não precisa “buscar” o conteúdo no data center de origem.

Essa tecnologia ficou popular à medida que o consumo na internet passou de texto e foto para vídeo e voz —mais pesados e demorados para chegar em vários destinos ao mesmo tempo. Para melhorar a experiência do usuário, a indústria passou a distribuir pequenas cópias de seus conteúdos, que ficam guardadas nesses servidores.

As CDNs são tão comuns para o tráfego na internet que um problema técnico em uma única máquina pode colapsar milhares de páginas. Nos últimos anos, com o aumento do uso de streaming, os operadores de CDN evoluíram sua inteligência para a demanda de determinados conteúdos: um servidor no Brasil não vai ter todo o catálogo da Netflix, por exemplo, mas os vídeos mais consumidos por assinantes da América Latina em português do Brasil.

Aliás, foi o português do Brasil que protegeu o país do pane desta manhã. Como a língua nacional é diferente da de outras regiões, como de Cabo Verde e Portugal, a maior parte dos conteúdos fica hospedada em CDNs no próprio país.

“Imagine se todo conteúdo do Google estivesse em San José [cidade onde fica a sede da empresa, na Califórnia]. Todos teriam que ‘sair de casa, pegar o conteúdo e voltar’, passando por fibra submarina e terrestre, congestionando o tráfego, o Google precisaria de uma quantidade de banda inimaginável. Só consegue entregar porque fracionou em zilhões de CDNs pelo planeta”, afirma o professor Lacier Dias, sócio da empresa Solintel.

Segundo ele, há centenas de CDNs no Brasil, mas as companhias de telecomunicação não podem dizer quem os possui porque a estrutura é considerada sensível. “Um CDN da Apple, por exemplo, contém cópias dos aplicativos da empresa.”

Quem recebe a CDN é o operador de internet, como Vivo ou Claro. As empresas podem ter suas estruturas próprias, caso de Google, Facebook e Netflix, ou contratar as especializadas, como a Fastly.

O conteúdo de alguns poucos serviços e de algumas CDNs correspondem a uma grande parcela do tráfego de dados de um provedor de internet. A estimativa é que Google, Youtube, Netflix e Facebook respondam juntos por 40% a 60% da banda de um provedor, segundo o Comitê Gestor da Internet.

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