No dia 20 de julho, o homem mais rico do mundo, Jeff Bezos, quase chegou ao espaço como parte da primeira missão tripulada de sua empresa de turismo espacial, a Blue Origin. A viagem correu conforme o esperado, mas a pergunta que povoou as redes sociais foi por que o foguete New Shepherd se parece tanto com um falo. Seria uma ode à conquista do espaço, com Bezos e outros bilionários penetrando-o, ou uma infeliz coincidência de engenharia? O jornal britânico The Guardian foi atrás de respostas.

Aerodinâmica e segurança

O foguete New Shepherd de Bezos possui uma cápsula em forma de cúpula na parte superior que é mais larga do que o resto da espaçonave — lembrando um cogumelo. Apesar de dar ao foguete uma aparência cômica, a cápsula mais larga que o restante dele é projetada para aumentar a segurança e conforto dos passageiros, de acordo com os especialistas consultados pelo The Guardian.

“Há uma longa história do que chamamos de foguetes hammerhead [cabeça de martelo], nos quais o diâmetro da cápsula é maior do que o impulsionador ”, disse o astrônomo Jonathan McDowall, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian. O cientista explicou que o formato tem uma aerodinâmica muito boa. “Tudo se resumiu a otimizar duas coisas diferentes [cápsula e corpo do foguete] e não ser capaz de torná-las totalmente compatíveis”, afirmou McDowell.

Blue OriginFoguete New Shepard, da Blue Origin

A cápsula de um foguete também precisa de um “fundo grande e plano” para fazer uma reentrada estável, explicou McDowell. “Eles [Blue Origin] passaram por muitos testes e cálculos até chegar ao formato perfeito para dar aos passageiros o máximo de volume, as melhores janelas e um design que não mataria ninguém a bordo”, disse o astrofísico Scott Manley ao jornal. “E esta é a forma que eles criaram, esta forma de cúpula”, explicou.

Somando-se às qualidades antropomórficas do New Shepard, há uma crista próxima ao topo que é “muito, muito óbvia”, segundo Manley. Ela está lá para acomodar uma “aleta em forma de anel” que é fundamental para o processo de reentrada — é ela que neutraliza os efeitos no fundo do foguete à medida que o impulsionador se desloca ao contrário. McDowell apontou outros exemplos de foguetes com topos ligeiramente alargados, como o Atlas V Starliner, que tem lançamento previsto na próxima semana.

Segundo princípios da física, “é mais fácil equilibrar um cilindro longo e estreito do que um mais grosso e ‘gordo’”, explicou ao jornal a especialista em análise espacial Laura Forczyk. Então, a Blue Origin tornou as coisas muito mais fáceis para si mesma ao decidir não combinar arbitrariamente a largura do foguete com a da cúpula superior.

Tudo isso contribui para algumas imagens particularmente memoráveis. O The Guardian perguntou se houve alguma mensagem estética sutil envolvida. “Eu não sei se eu teria feito o design dessa forma, mas tenho certeza de que foi impulsionado inteiramente pela física”, respondeu Forczyk.

No entanto, a analista acredita que é impossível que a equipe da Blue Origin não tenha notado o formato pitoresco da embarcação. Sobre isso, McDowell afirmou: “Você tem de imaginar que houve uma reunião em que alguém disse: ‘Você realmente quer voar desse jeito?’ Mas acho que um engenheiro se levantou e disse: ‘Isso é o que diz a matemática. Esta é a configuração ideal. Então é assim que vamos voar’”.

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